Notícias

Presidente do Supremo, Roberto Barros, admite que julgamento de Bolsonaro está sendo e…Ver mais

O Julgamento que Pode Redefinir a História do Brasil: STF se Prepara para Decidir o Futuro de Bolsonaro e Aliados

Por Redação | Atualizado em 26/08/2025


Um país em suspense. Um ex-presidente no centro da crise. E uma decisão que poderá marcar uma nova era na política brasileira.

Na manhã desta segunda-feira (25), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, lançou luz sobre o julgamento mais aguardado — e temido — da última década. Ao lado de juristas e autoridades, durante um evento na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, Barroso falou abertamente sobre o caso que promete abalar as estruturas da República: o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete nomes acusados de envolvimento na chamada “trama golpista”.

E sua declaração foi direta como um veredicto: “O julgamento é imperativo”.

Mas o que está realmente em jogo? Quem são os réus? E por que este processo pode ser um divisor de águas no curso da democracia brasileira?


O Início de um Capítulo Final

Com tom sereno, mas firme, Barroso reconheceu que o caso carrega “algum grau de tensão”, algo previsível diante do peso dos nomes envolvidos e do contexto político que o país atravessa. “É evidente que isso provoca apreensão no país”, afirmou. E não é para menos.

O julgamento analisará se houve, de fato, uma tentativa articulada de ruptura institucional após as eleições de 2022 — culminando nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas por manifestantes inconformados com o resultado das urnas.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), não foi apenas uma manifestação descontrolada. Foi o ápice de um plano. Uma engrenagem composta por autoridades civis e militares que, nas sombras, teriam trabalhado para minar a ordem democrática.


Os Nomes por Trás da Acusação

No centro das acusações estão figuras de destaque do governo anterior. Além de Jair Bolsonaro, respondem no mesmo processo:

  • Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin),
  • Almir Garnier (ex-comandante da Marinha),
  • Anderson Torres (ex-ministro da Justiça),
  • Augusto Heleno (ex-chefe do GSI),
  • Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa),
  • Walter Braga Netto (ex-ministro e candidato a vice),
  • Mauro Cid (ex-ajudante de ordens da Presidência).

Eles são apontados como o “núcleo duro” de uma organização criminosa supostamente voltada à derrubada do Estado Democrático de Direito.

As acusações incluem:

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de golpe de Estado
  • Ato de violência contra o Estado
  • Danos ao patrimônio público tombado
  • Ameaça grave à segurança nacional

As penas previstas, se somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão.


Um Julgamento com Câmeras Ligadas e Olhares Atentos

A análise do processo ficará a cargo da Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e presidida pelo próprio Barroso. As sessões estão marcadas para acontecer entre os dias 2 e 12 de setembro, com transmissão ao vivo — uma medida que promete aumentar ainda mais a tensão em torno do julgamento.

A promessa é de que cada passo seja guiado pelo rigor técnico e pelo respeito ao devido processo legal. “A decisão será pautada pelas provas, dentro das regras da Constituição”, garantiu Barroso.

Mas a verdade é que, fora dos autos, o país vive um turbilhão.


Entre a Justiça e a História

Enquanto alguns setores da sociedade celebram o julgamento como uma resposta firme ao autoritarismo e uma vitória das instituições democráticas, outros acusam o Supremo de protagonizar uma perseguição política. Entre elogios e críticas, uma coisa é certa: o desfecho do caso terá efeitos duradouros sobre o cenário político e institucional do Brasil.

Barroso foi enfático ao contextualizar: “O Brasil precisa encerrar o ciclo em que se aceitava romper a legalidade constitucional apenas porque não se gostava do resultado das urnas”.

E, ao relembrar que o país já enfrentou inúmeras tentativas de ruptura institucional no passado, o ministro deixou claro: este julgamento não é apenas sobre o passado recente, mas sobre o futuro que o Brasil quer construir.


O Que Está em Jogo

À medida que setembro se aproxima, a pergunta que paira sobre Brasília — e sobre todo o país — é uma só:

Estamos diante de um ato final ou do primeiro capítulo de uma nova crise institucional?

O Brasil assiste, com expectativa, apreensão e esperança, ao julgamento que pode redefinir os rumos de sua democracia.